sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pra ela

Sinto falta. Sinto falta do seu carinho, da sua voz, do seu abraço, do seu rostinho... Sinto falta das nossas conversas, das vezes em que chegava de madrugada e te acordava pra contar todas as fofocas. Sinto saudade do seu colo, do jeito que você sentava na beira da minha cama e ficava fazendo cafuné até que eu acordasse. Sinto falta dos almoços lá em casa, dos Natais, dos aniversários, das suas crises de gargalhada.. Das suas trapalhadas, das bobagens que falava, do seu jeito meio desastrado e de como costumávamos dar gargalhadas de nós mesmas... Sinto falta do seu carinho com o mundo, da sua compreensão, dos seus conselhos, por mais que muitas vezes eles não me agradassem muito. Sinto falta daquelas noites em que só a sua companhia me acalmava, e de como a minha presença te acalmava também. Sinto falta do seu cheiro, do seu sorriso, dos seus cachinhos e dos seus olhos verdes. Daquele jeitinho que só você tinha, de como me conhecia profundamente, do seu companheirismo sem medidas e do amor incondicional. 

Lembro, como se fosse ontem, do dia em que apaguei o seu telefone da agenda do meu celular. Que sensação mais estranha era saber que nunca mais receberia nenhuma ligação daquele número, de que nunca mais ia olhar para o telefone e ver "Tchucka" chamando do outro lado da linha.

Sabe, eu sinto falta até das brigas, dos 500 telefonemas desesperados, querendo saber aonde eu estava, para onde eu ia e que horas voltava.

Ah, mãe.... Como eu sinto a sua falta...

Você foi a melhor mãe que eu poderia ter tido e a melhor amiga que alguém pode querer. Sou muito grata por ter convivido diariamente, por 25 anos, com você. Mas posso falar? Foi pouco.. Queria tanto você aqui agora, amanhã, depois de amanhã e depois, e depois, e depois...

Em meio a tantas mudanças, encontrei uma carta que escrevi para você em 2007, que fez me chorar copiosamente. Mas não foi um choro ruim, sabe mãe? Foi um choro de alguém que via ali todo o amor e o carinho de uma vida inteira. Quando terminei de ler, tive a sensação de dever cumprido: eu sempre soube o quanto era amada e hoje sei que deixei bem claro que você era, e sempre vai ser, tudo na minha vida.

Nesse ano minha vida tomou rumos muito diferentes, mãe.. Foram tantas reviravoltas e guinadas importantes, e tudo o que eu pensava quando algo acontecia era: "queria que ela estivesse aqui pra dividir tudo isso comigo"... Dividir tudo, como sempre foi. Das questões profundas e complexas até aquele momento "Mããããe, como é que faz feijão???". Queria que você soubesse que estou feliz, que minha vida está andando pra frente e que você até que fez um bom trabalho, sabia? Ah sim, fique tranquila: as cagadas que ainda faço na ida não foram culpa sua.

Hoje, mãezinha, tenho quem cuide de mim. Nunca fui muito boa em cuidar de mim mesma, e você sabe disso melhor do que ninguém, mas pode ficar sossegada que não estou sozinha nesse mundo não. Graças a Deus tenho algumas pessoas que assumiram o posto de mãe "postiça" e vêm fazendo um bom trabalho.. Mas nada e nem ninguém irá tomar o seu lugar, nem hoje e nem nunca.

Lilian, Lilinha, Dona Lila, Lila na Terra do Nunca, Mamis, Tchucka.. Você foi e continua sendo um exemplo de mulher, de mãe, de pessoa. Obrigada, mãe. Obrigada por existir e por fazer de mim a filha mais sortuda e orgulhosa do mundo. 

Te amo. E, se Deus quiser, um dia o meu sonho se tornará realidade e a gente vai se reencontrar.

Me espera?







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