Olá você que eu não sei quem é!
No último post comentei sobre um texto que havia escrito há alguns (muitos) anos e prometi tentar "recriá-lo", já que fiz o favor de não guardar o bichinho como deveria. Acreditem, catei todos os papéis antigos que tenho guardado, procurei por todos os cantos, vasculhei todos os buraquinhos, e nada...... Bilhetes trocados durante as aulas do colégio, cartões de natal enviados pelos amigos durante o período de férias, fotos H-O-R-R-E-N-D-A-S, cartinhas fofas da minha mãe - tudo isso eu encontrei, e aos montes, mas o tal texto se foi...
Mas porquê falo tanto dele e porquê queria tanto encontrá-lo? Porque ele falava de um sentimento bastante presente nos últimos dias: decepções. Pois é...
Há alguns dias levei uma rasteira que, como toda "boa" rasteira, não esperava. Foi foda. Está sendo foda. E pelo visto, vai continuar sendo foda. Na minha humilde opinião, a sensação de estar estilhaçada por dentro é uma das piores que podemos vivenciar, até porque quando quebramos alguma coisa dificilmente conseguimos recuperá-la 100%, não é? E quando se trata de uma quebra "interna", acho que esse processo fica ainda mais difícil... Podemos até tentar colar os caquinhos que ficaram espalhados pela alma, mas a minha dúvida é: como maquiar as rachaduras do acidente? Ou mesmo sumir com elas? Há quem diga que essa é uma tarefa impossível, há quem diga que não... EU não sei. A única coisa que sei é que mal estou conseguindo recuperar os estilhaços desse tombo - as lágrimas teimam em cair, não importando o lugar, o ar me falta, o coração dispara toda vez que minha mente me leva de volta ao tal dia, me fazendo reviver aquela situação, minha cabeça mais parece um turbilhão... Não consigo parar de pensar naquilo e em todos os possíveis desdobramentos. "Amiga, esquece! Não pensa mais nisso!" tem sido a frase que mais escuto nos últimos dias. A pergunta é: Como é que se faz isso? Alguém me dá a receita, por favor? Acho que o cérebro (e o coração) deveriam ter um botão de "off". Aliás, aquela maquininha de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" deveria vender no camelô. #ficaadica
A única conclusão à qual consigo chegar é que não entendo as pessoas, não entendo suas atitudes, não entendo mais nada. Há quem diga que eu deveria parar de tentar entender, mas acho que isso faz parte da minha natureza.. Mamãe colocou uma bela dose disso aí quando me fez, mas o famoso "foda-se" ela esqueceu de acrescentar à mistura, disso eu tenho certeza. O complicado é que parece que todo o resto do mundo, inclusive os envolvidos nessa minha questão, parece ter recebido uma dose monstruosa de "foda-se" no momento de sua concepção. Como lidar com isso? Não sei, afinal de contas (como já disse) é humanamente impossível, pelo menos para mim, ligar o tal botãozinho visto que ele não existe por aqui.
A dor me dilacera, o "não saber o que pode acontecer" me apavora, me congela e então vem a crise de novo - o choro, a falta de ar, o coração disparado... Sem falar na gastrite, que me ataca toda vez que me encontro assim. E não, não é drama - é apenas um raio X de alguém que sente tudo muito intensamente.